As (In)tolerâncias religiosas

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Seria uma mentira dizer que este post foi motivado apenas por uma situação ou ainda que somente eu tenha essa visão de igreja enquanto instituição. Talvez você nunca tenha parado para analisar desta forma as "tendências" que existem no catolicismo.
Antes que me perguntem de onde vem a ideia deste texto, informo que partiu desta notícia (aqui).

Bem, voltemos ao foco que escolhi para falar sobre extremismos.

Existem 3 tendências principais no Catolicismo Romano, são elas: Tradicional, Renovação Carismática Católica e Teologia da Libertação.

Vejo as formando um triângulo equilátero, onde cada ponta representa uma delas, dispostas da seguinte forma:

Ponta Superior: Tradicionalista;

Ponta inferior direita: Renovação Carismática Católica (RCC);

Ponta Inferior esquerda: Teologia da Libertação (TdL)

O Católico Tradicional é aquele que obedece ao papa, sem questioná-lo, acredita em todos os dogmas do catolicismo, em geral não mistura religião e política, mantém as crenças conservadoras da Igreja quanto à grande parte das pautas polêmicas (casamento gay; uso de contraceptivos; aborto; etc), pode ou não ser flexível quanto à obediência ao papa segue à risca a ideia de que a mulher deve ser submissa ao marido, em se tratando dos ritos prefere a missa celebrada em latim e realiza suas orações em silencio.

O Cristão Católico Carismático (que participa de grupos ligados ao movimento da RCC) acredita em todos os dogmas do catolicismo, não mistura religião e política, mantém as crenças conservadoras da Igreja quanto à grande parte das pautas polêmicas (casamento gay; uso de contraceptivos; aborto; etc.), pode ou não ser flexível quanto à obediência ao papa, e a submissão das mulheres, este movimento tem grande influência de igrejas protestantes, são católicos que cantam, dançam e proclamam a fé em voz alta, oram em línguas e podem ser confundidos com os cristãos evangélicos.

O Cristão Católico que participa de grupos ligados ao movimento da Teologia da Libertação acredita em todos os dogmas do catolicismo, em geral não mistura religião e política, mantém uma grande abertura ao diálogo quanto à grande parte das pautas polêmicas (casamento gay; uso de contraceptivos; aborto; etc.) mesmo quando não as aceita, em geral, é a favor da igualdade de gênero, é muito comum que mantenham posições da esquerda política, pela forte ligação desta teologia com os movimentos sociais e a influência da pedagogia do oprimido.

Espero que para você, leitor, não tenha sido muito repetitivo, optei por usar as mesmas palavras para que você tenha a noção exata do quanto as tendências ou movimentos têm em comum.

Porém as tais tendências não param de fazer "guerra" entre si, seja por espaços, atividades, membros, por todos e, por cada trabalho.

Isto é bastante curioso, afinal, em geral toda paróquia convive com ao menos duas tendências, a mais difundida delas é a RCC.

Porém muitos de nós não estamos preparados para lidar com as pequenas diferenças em nossa religião, ou pior muitas vezes nos percebemos mais tolerantes a outras religiões, ainda assim somos capazes de apontar o dedo para esta e aquela religião dizendo que aquilo sim é fanatismo religioso,

Fico aqui pensando no Cristão que por algum motivo acabou de conhecer a Igreja Católica Apostólica Romana e encontra este quadro de "guerra" em sua nova paróquia, como será que ele se sente?

Como você se sente vendo sua paróquia e/ou sua comunidade por esta ótica?

Não sei você, mas eu, particularmente, não me sinto bem ao olhar este quadro em canto nenhum, apenas porque não foi isso que o moreno de Nazaré pregou durante sua vida (conf. MT 7.1-5).

Partilho com vocês, assim, a primeira utopia: Uma Igreja que seja tolerante consigo mesma e não apenas com as outras. Uma igreja construída em comunhão por todos os fiéis, embasada no evangelho e centrada em Jesus.




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