Porque não é só o salário, é ele também! - Por uma educação de qualidade

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Minhas caras & caros,

O texto de hoje é pautado em duas declarações distintas: uma do Chico, mais conhecido como Papa Francisco, e a outra do governador do Estado, sr. Geraldo Alckmin.

“Todo ano é essa novela da Apeoesp, ela tenta fazer greve, mas não tem legitimidade", diz o Governador de São Paulo.

Na mesma data (14/03/2015), em discurso, Papa Francisco disse: “Ensinar é um trabalho muito bonito. É uma lástima que os professores sejam mal pagos.”

Ontem (17), a APEOESP decidiu continuar a greve que afeta a rede de escolas estaduais em São Paulo. Desde as declarações, tenho pesquisado sobre o assunto, afinal, estou de certa forma dentro dele e convivo com os problemas, mas não queria continuar apenas com a minha visão.

“São Paulo tem educação abaixo da média do país, segundo dados do Pisa (2012)”, diz a matéria feita na época pelo “Estadão” .

Sabemos que a Educação de São Paulo não está as mil maravilhas, muito pelo contrário. Então por que aumentar os salários?

Basicamente, pois é necessário valorizá-lo. Um professor se sente valorizado de muitas formas. A mais comum delas é ver seus alunos realizados por ter aprendido algo novo, por terem passado naquele vestibular concorrido ou ainda por terem elogiado a aula do dia, mas não se engane: professor trabalha para ganhar dinheiro e não apenas pra ser reconhecido no mercado, no ônibus ou na vizinhança. O professor é profissional da educação e merece um salário decente e, se encontrar um salário melhor, deve trocar de escola, afinal qualquer outro profissional faria o mesmo. Logo, tem os melhores professores a escola que paga melhor.

Enquanto estava fazendo meu TCC - que não por acaso é o projeto de uma Escola de Ensino Médio - li muitas coisas, entre elas, uma parte de uma tese de doutorado que mostra o quanto hospitais, escolas e presídios tem em comum. Foi a partir dele que passei a refletir sobre o assunto (peço lhe que faça o mesmo). A minha conclusão é que não se pode condenar crianças de qualquer idade a estar num ambiente tão frio quanto um presidio ou mesmo um hospital (na minha concepção, as duas tipologias não podem ser definidas como acolhedoras).

Peço-te: recorra ao modelo de escola que você tem na sua memória. Dizem que elas são parecidas. Tenho muitas grades na memória, na escada, na entrada, nos corredores até em algumas portas. Como diz um amigo, nada é por acaso, as grades são o símbolo da restrição. Então, o quanto restringimos o aprendizado por conta do ambiente? Acredito friamente que isso deve ser refletido profundamente.

Tente, você, dar atenção a 40 pessoas ao mesmo tempo, sejam elas crianças ou adolescentes. Isso não será tarefa fácil. Agora, coloque-se no lugar do professor.

Cada individuo tem um tempo de aprendizado. Isso é, de certa forma, ignorado quando se ensina tantos indivíduos ao mesmo tempo. Enfim, uma criança que não tem seu tempo de aprendizado respeitado na alfabetização chega, às demais fases, deficitária. Muitas vezes não entende o contexto de um texto ou ainda não entende quando lhe pede um problema matemático simples.

Partindo desta realidade: se uma etapa é deficitária, compromete todas as demais e a forma de mudar isso talvez (seja) diminuir as salas, o que, de certa forma, implica em uma necessidade de reforma no sistema por completo. Enfim, isso há que ser discutido por uma equipe multidisciplinar.

Outro problema grave é a falta de interesse no conteúdo das matérias, isso pode ocorrer por muitos motivos, o mais comum deles é: “eu nunca vou usar isso, professor”. Ou seja: a criança não sabe como aplicar o que aprende no cotidiano. Isso é bastante comum nas disciplinas de exatas (Matemática, Química, Física e, principalmente, Biologia) enquanto que nas de humanas tem maior dificuldade os alunos “semianalfabetos”.

Não conheço Paulo Freire profundamente, porém como citei acima, li muitas coisas sobre pedagogia, entre essas muitas coisas estão “Pedagogia do Oprimido” e “Pedagogia da Autonomia”. Neles, Paulo pede claramente maior integração às disciplinas para que os alunos tenham mais facilidade de inter-relacioná-las e de relacioná-las com o cotidiano. Isso se chama interdisciplinaridade, e pelo pouco que conheço, quase não tem aplicações praticas. Uma das poucas é o colégio do Sesi no Rio.

Além dos apontados, há muitos problemas. O último que vou apontar - é o que talvez seja mais simples de ser resolvido - é a falta de zeladoria nas escolas, ou seja, de cuidado, com o material, seja ele multimídia, datashow, lousa interativa, computadores, equipamento de som, notebooks, mesas carteiras. Enfim, não é bonito chegar a um lugar e encontrar coisas quebradas jogadas pelos cantos, ou um notebook com vírus, ou mesmo um microfone quebrado. Esse talvez seja o maior problema da administração escolar: alguém não toma o devido cuidado, o equipamento quebra e vão encostando ele.

Muitas vezes ninguém avisa o responsável por consertá-lo; sendo assim, o mesmo acaba permanecendo quebrado por algum tempo. Isso atrapalha o andamento da aula, pois o professor se programou para utilizar-se daquilo.

Podia ficar aqui escrevendo linhas e mais linhas e linhas sobre o assunto, porém não necessário, acredito eu que o texto deixa clara a minha posição a favor do Papa Francisco e da greve, em parte porque apesar de não trabalhar em uma escola da rede estadual, da administração direta, convivo com muitos problemas comuns a ela, e embora não considere apenas o aumento de salário necessário, acredito que qualquer melhora na rede passa pela valorização do profissional.

Particularmente, acredito que a qualidade da educação não é apenas uma utopia minha, mas de todo cidadão paulistano.

São importantes na construção deste texto:

Todo ano essa novela  - Portal Metrópole

Todo ano essa Novela -  Folha de S.Paulo 

Sobre a Greve dos professores -  Brasil 247 

Papa aos docentes italianos: “Amar mais aos estudantes” -  Radio Vaticana 

Discurso do Papa Francisco à união católica italiana de professores, dirigentes, educadores e formadores [uciim]  -INTEGRA –  Portal Vaticano 

São Paulo tem educação abaixo da média do Pais Segundo dados do Pisa – Estadao.com.br 

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O Artigo de hoje deveria ter sido postado a uns dez, talvez 15 dias atrás e, por alguns motivos, ele foi sendo adiado, ora por falta de organização minha para escrevinhá-lo, ora por acontecimentos que demandavam minha atenção no momento em que deveria estar escrevendo.

Enfim, prometo que vou me organizar pra tentar manter as postagens relativamente frequentes.

Foto: Alexandre Beck/Reprodução Facebook

As (In)tolerâncias religiosas

22:55 | Marcadores: , , , , | Nenhum comentário »

Seria uma mentira dizer que este post foi motivado apenas por uma situação ou ainda que somente eu tenha essa visão de igreja enquanto instituição. Talvez você nunca tenha parado para analisar desta forma as "tendências" que existem no catolicismo.
Antes que me perguntem de onde vem a ideia deste texto, informo que partiu desta notícia (aqui).

Bem, voltemos ao foco que escolhi para falar sobre extremismos.

Existem 3 tendências principais no Catolicismo Romano, são elas: Tradicional, Renovação Carismática Católica e Teologia da Libertação.

Vejo as formando um triângulo equilátero, onde cada ponta representa uma delas, dispostas da seguinte forma:

Ponta Superior: Tradicionalista;

Ponta inferior direita: Renovação Carismática Católica (RCC);

Ponta Inferior esquerda: Teologia da Libertação (TdL)

O Católico Tradicional é aquele que obedece ao papa, sem questioná-lo, acredita em todos os dogmas do catolicismo, em geral não mistura religião e política, mantém as crenças conservadoras da Igreja quanto à grande parte das pautas polêmicas (casamento gay; uso de contraceptivos; aborto; etc), pode ou não ser flexível quanto à obediência ao papa segue à risca a ideia de que a mulher deve ser submissa ao marido, em se tratando dos ritos prefere a missa celebrada em latim e realiza suas orações em silencio.

O Cristão Católico Carismático (que participa de grupos ligados ao movimento da RCC) acredita em todos os dogmas do catolicismo, não mistura religião e política, mantém as crenças conservadoras da Igreja quanto à grande parte das pautas polêmicas (casamento gay; uso de contraceptivos; aborto; etc.), pode ou não ser flexível quanto à obediência ao papa, e a submissão das mulheres, este movimento tem grande influência de igrejas protestantes, são católicos que cantam, dançam e proclamam a fé em voz alta, oram em línguas e podem ser confundidos com os cristãos evangélicos.

O Cristão Católico que participa de grupos ligados ao movimento da Teologia da Libertação acredita em todos os dogmas do catolicismo, em geral não mistura religião e política, mantém uma grande abertura ao diálogo quanto à grande parte das pautas polêmicas (casamento gay; uso de contraceptivos; aborto; etc.) mesmo quando não as aceita, em geral, é a favor da igualdade de gênero, é muito comum que mantenham posições da esquerda política, pela forte ligação desta teologia com os movimentos sociais e a influência da pedagogia do oprimido.

Espero que para você, leitor, não tenha sido muito repetitivo, optei por usar as mesmas palavras para que você tenha a noção exata do quanto as tendências ou movimentos têm em comum.

Porém as tais tendências não param de fazer "guerra" entre si, seja por espaços, atividades, membros, por todos e, por cada trabalho.

Isto é bastante curioso, afinal, em geral toda paróquia convive com ao menos duas tendências, a mais difundida delas é a RCC.

Porém muitos de nós não estamos preparados para lidar com as pequenas diferenças em nossa religião, ou pior muitas vezes nos percebemos mais tolerantes a outras religiões, ainda assim somos capazes de apontar o dedo para esta e aquela religião dizendo que aquilo sim é fanatismo religioso,

Fico aqui pensando no Cristão que por algum motivo acabou de conhecer a Igreja Católica Apostólica Romana e encontra este quadro de "guerra" em sua nova paróquia, como será que ele se sente?

Como você se sente vendo sua paróquia e/ou sua comunidade por esta ótica?

Não sei você, mas eu, particularmente, não me sinto bem ao olhar este quadro em canto nenhum, apenas porque não foi isso que o moreno de Nazaré pregou durante sua vida (conf. MT 7.1-5).

Partilho com vocês, assim, a primeira utopia: Uma Igreja que seja tolerante consigo mesma e não apenas com as outras. Uma igreja construída em comunhão por todos os fiéis, embasada no evangelho e centrada em Jesus.